Basta atravessar o portal para o barulho da Alameda Lucas Nogueira Garcez ficar para trás. Do outro lado há um lago pequeno, uma ponte levando a uma ilha, pedras que fazem caminho e escada, bonsais, recantos de sombra. O Jardim Japonês de Atibaia não é grande nem pretende ser. É um lugar para sentar um pouco e olhar, e a cidade o trata como um dos seus cartões-postais.
Ele faz parte do chamado Parque das Águas, a área verde que se estende ao lado do Lago do Major e do Balneário Municipal, e que reúne também o Centro de Convenções Victor Brecheret e um museu dedicado à gravura.
O jardim
A Secretaria de Turismo descreve o espaço como um jardim temático com detalhes paisagísticos orientais: portal, lago, ponte, ilha, paisagismo com bonsai, escadarias e passagens de pedra, além de áreas sombreadas para descanso e contemplação. A prefeitura acrescenta que o jardim é totalmente aberto e de fácil acesso, e fica na Rua Dr. Álvaro Correia Lima, ao lado do Centro de Convenções.
Não é um jardim para atravessar com pressa. A graça está nos detalhes: o desenho da ponte, o reflexo do portal na água, o cuidado com as pedras.
A presença japonesa em Atibaia
O jardim conversa com uma parte importante da história da cidade. Segundo um levantamento sobre a imigração japonesa em Atibaia publicado em 2009, o primeiro imigrante a se fixar no município foi Tatsuichi Watanabe, em 1928, no bairro Yara, onde cultivava batata. O texto registra 1929 em outro trecho.
Depois vieram Harukiti Yamanaka, em 1936, no bairro do Maracanã, e, nos anos 1940, famílias como os Nishimura, Matsuoka, Nakasu, Yano, Kurosawa e Takebayashi, que enfrentaram restrições às atividades comunitárias durante a Segunda Guerra. A abertura da Rodovia Fernão Dias ajudou a comunidade a crescer. Em 2009, o mesmo levantamento falava em cerca de 1.300 famílias descendentes vivendo na cidade.
Essa presença ajuda a explicar por que morango, flores e cultura japonesa aparecem juntos tantas vezes quando se fala de Atibaia. Leia mais na reportagem sobre o morango de Atibaia.
A revitalização de 2025
O jardim foi alvo de uma revitalização da prefeitura em 2025, como parte da preparação para os 360 anos da cidade. Em maio, equipes de zeladoria retiraram grades antigas, cortaram o mato e limparam a área. Em junho, a Defesa Civil fez a limpeza e o desassoreamento do lago, segundo comunicado da prefeitura.
Sem as grades, o jardim ficou aberto à circulação de quem passa pelo Parque das Águas.
O Centro de Convenções e o Museu Olho Latino
Vizinho do jardim, o Centro de Convenções Victor Brecheret recebe shows, espetáculos de teatro e dança e boa parte dos grandes eventos da cidade. O endereço é a Alameda Professor Lucas Nogueira Garcez, 511.
No mezanino funciona o Museu de Arte Contemporânea Olho Latino, uma das surpresas de Atibaia. O museu foi criado em março de 2001 pelos artistas Celina Carvalho e Paulo Cheida Sans, que doaram as gravuras que haviam colecionado para formar o acervo. Hoje são mais de mil obras, com foco em gravura contemporânea. O nome vem de uma antologia organizada por Paulo Cheida Sans em 1990, com textos de professores de vários países da América Latina. O museu está no Centro de Convenções desde 2006, por meio de parceria com a prefeitura.
Os horários de visita divulgados em diferentes sites não coincidem. Antes de ir, confirme com o museu ou com a Secretaria de Turismo.
O Balneário e a feira de sábado
A poucos passos ficam o prédio e a área externa do Balneário Municipal, na Avenida dos Bandeirantes, onde funcionam o Centro de Informações Turísticas e a Secretaria de Turismo. Na área externa há playground, piscinas e áreas arborizadas. Aos sábados, segundo a secretaria, ali acontece a Feira de Artes, Artesanato e Gastronomia, com flores e morangos de produtores locais, artesanato e praça de alimentação.
Como aproveitar
- Comece pelo jardim, que é a parte mais tranquila, e deixe o Lago do Major para depois.
- Se gosta de arte, reserve um tempo para o Olho Latino; gravura pede olhar de perto.
- Combine com a feira de sábado, que fica ao lado.
- Para fotos do portal e da ponte, a luz mais suave do começo da manhã ou do fim da tarde ajuda.
- O jardim é para contemplação: nada de pisar nos canteiros ou mexer nas plantas.
Perguntas frequentes
O Jardim Japonês cobra entrada?
A prefeitura descreve o jardim como espaço totalmente aberto e de fácil acesso.
Pode levar cachorro?
O guia da Rede Entre Serras e Águas classifica o espaço como pet friendly. Mantenha o animal na guia, longe dos canteiros e do lago, e recolha a sujeira.
Dá para ir a pé do centro histórico?
Sim. O jardim fica na mesma Rua Dr. Álvaro Correia Lima do Escadão da Via Sacra, a escadaria que desce do centro histórico até a região da Alameda Lucas Nogueira Garcez. Dá para combinar os dois passeios; veja o roteiro do Centro Histórico de Atibaia.
O que é o Olho Latino?
Um museu de arte contemporânea especializado em gravura, com mais de mil obras, instalado no mezanino do Centro de Convenções Victor Brecheret.
Continue o passeio
O Jardim Japonês fica colado ao Lago do Major e ao teleférico, que passa por cima da água e mostra o Parque das Águas do alto. Gosta de arte e quer começar uma coleção? Procure quadros e gravuras na busca do AtiPerto ou veja o que está à venda perto de você na página de Atibaia.